Não é exatamente da conta de ninguém e sequer devo exatamente satisfações, mas eu precisava deixar isso em algum lugar e eu escolhi aqui.
Em 2012 eu fui diagnotiscado com Ansiedade e Depressão, logo após de uma condição que me obrigou a procurar um Neurologista e um Terapeuta. Não estava exatamente num nível alarmante, então mal percebi. Fiz tratamento por um tempo, mas percebi que minha terapeuta me deixava pior do que de fato ajudava. Foram 8 meses de tratamento que pioraram uma condição que, em tese, eu não estava sofrendo com ela. Só procurei fazer tratamento anos depois, em 2014 por causa de um stress pós-traumático, mas sem sucesso de novo. Acabei 'melhorando sozinho'.
Esse mês faz exato um ano que tive minha primeira crise forte de ansiedade. Foi uma sensação maluca, como se o mundo estivesse em chamas, eu não conseguia respirar direto, nem pensar com clareza. Era uma sensação parecida com a de enfrentar um chefe importante no vídeo-game, mas eu não via o chefe, minha barra de vida estava baixa e a música ensurdecedora dando pânico. Foi a primeira e mais forte de todas que vim a ter no último ano.
Sim, meu final de 2017 e começo de 2018 foi regado de ataques de ansiedade que, por vezes, eu nem sei explicar exatamente como era. As vezes eu só precisava correr pra algum lugar, pra chorar escondido ou algo assim. Outras eu só ficava com falta de ar, então eu colocava a mão na boca para ajudar a manter meu ar. Outras que eu precisava enfiar a cara inteira embaixo de uma torneira, porque meu rosto estava esquentando sem motivos. Noites totalmente em claro, outras que eu simplesmente virava uma pedra de dormir pesado. Em resumo, meu último ano foi totalmente descontrolado e bagunçado, fora da minha zona de controle, o que foge do meu sempre caminho programado.
Não tive um gatilho específico para isso. Nem sempre tem gatilhos, mas eu percebi que algumas situações específicas acabaram contribuindo para isso. Dá para se dizer que num espaço de dois meses, minha vida foi do topo da montanha-russa para o exato momento em que estou de ponta cabeça [e, aparentemente, sem o cinto de proteção] e, então, queda livre.
De um ano para cá, eu sofri mudanças bruscas: minha memória não mais das melhores [justamente uma das coisas que mais me orgulhava em mim (não que fossem muitas, por sinal)], minha capacidade de concentração diminuiu absurdamente, ao ponto de eu não conseguir mais ler um livro por mais de cinco páginas sem uma interrupção [creio que todos sabem do meu amor pela literatura, visto que até alguns projetos (abandonados por ora) eu tenho engatilhados para umas composições], meu apetite que é totalmente maluco [eu dificilmente sinto fome. geralmente eu como quando alguém me pergunta o que eu comi e então lembro que tenho que fazer, ou quando tenho alguma vontade específica], meu corpo [eu estou numa sanfona ridícula: perco e ganho peso o tempo todo, várias queimaduras estranhas pelo corpo sem causa aparente, vários machucados que não sei a origem e a pela cheia de acne, espinha e cravos] e até posses por incrível que pareça [nesse último ano consegui queimar controles de videogame, televisão, dois celulares, meu notebook está quase no mesmo caminho]. Em resumo, de um ano pra cá, um novo Pedro surgiu, e eu olho no espelho e não consigo reconhecer o Pedro pré-2017. É como se alguma coisa tivesse tomado conta do meu corpo, minha mente e minha vida, e eu simplesmente aceitei e ativei o controle automático.
Eu estou procurando melhorar. Cada dia eu tento me esforçar para continuar a fazer aquilo que eu devo, aquilo que eu preciso. Não tenho exatamente um propósito ou missão para me carregar, mas estou lá.
Até hoje, eu luto para não deixar transparecer quando tenho uma crise. Nem sempre consigo, mas tento. Me esforço pra lutar contra [Tenho me forçado a ler mesmo sem concentração, tenho sido mais paciente com as minhas coisas para não descarregar frustrações em objetos, tenho tomado mais cuidado com meu corpo, tenho me lembrado de comer nas horas certo, e por ai vai]. Ainda não procurei um tratamento médico e sei que devo, mas não tive forças pra isso ainda. E tenho os mesmos receios de ter que passar por tudo isso de novo.
No resumo, só posso dizer que tudo bem, vai melhorar espero, mas não hoje. Hoje só quero descansar e pensar que esse ciclo 2017/2018 está por acabar. Já me traz alguma paz.
A Simple Notepad
Orgulho (Pride) e Orgulho (Haughtiness)
Uma das minhas principais falhas é o meu orgulho. Não me considero arrogante, prepotente ou com complexo de superioridade. Muito pelo contrário na verdade, eu tenho esse negócio de me colocar pra baixo na maioria das vezes. Não sei na verdade o porquê faço, mas o faço por causa do meu orgulho. Ficou meio maluco e paradoxal, mas é exatamente isso que quis dizer. Se torna um bocado irritante na verdade quando percebo que estou exagerando com isso, mas a questão é que não sinto nenhuma vantagem em ser quem eu sou na verdade.
Em inglês temos duas palavras para Orgulho, Pride e Haughtiness. A segunda quase não é usada por ter tanto caído em desuso quando pelo significado meio brutal dela.
O Orgulho ‘Pride’ é aquilo que você faz e gosta de fazer, pois foi bem feito. Ou quando um amigo consegue um feito que almejava. Esse é o Orgulho bacana, bonito que é pregado em qualquer livro de auto-estima.
O Orgulho ‘Haughtiness’ é o orgulho arrogante. Aquele que ‘Eu faço isso e sou bom por isso’. O que te torna inflexível, grosseiro, presunçoso. O que bate o pé no chão. Que menospreza os outros.
Mas o tópico principal: orgulho. Quando eu sei que algo funciona daquele jeito, quero que seja sempre feito daquele jeito. Quando eu sei que estou certo, não quero ser contrariado sem motivo. Não gosto de dar o braço a torcer quando meus princípios estão sendo colocados em jogo. E às vezes eu me detesto por isso. Eu não tenho o menor problema em admitir quando estou errado, mas sempre espero que as pessoas também o façam. E é um pouco presunçoso da minha parte achar isso.
O tanto que tenho falta de Orgulho (Pride) é o que tenho em sobra de Orgulho (Haughtiness). Eu odeio isso, pois não sou arrogante ou prepotente. Só entendo que, aquilo que eu digo que é, eu não digo sem qualquer base. E eu não me considero melhor que ninguém também. Pelo contrário, meu complexo de inferioridade é maluco, que até quando faço algo bem feito, quero me jogar de um precipício.
Hoje, assistindo ‘Love, Simon’ (Filme de 2017), em uma cena em especial eu percebi isso. Na verdade, eu já percebi tem eras, mas só me senti extravasar nesse momento. Quando o Pai de Simon conta a ele o orgulho que sente do filho, eu percebi que falta isso em mim. Falta orgulho do que eu me tornei, talvez de alguém que me ajude a ter esse orgulho. Porra, estamos em 2018, já passei por tantas coisas ruins que nem sei mais contar e por tanta coisa boa também que moldaram meu caráter hoje. Eu não me sinto qualquer um, mas não me sinto como algo digno na verdade.
Me sobra Orgulho, mas me falta Orgulho. E isso é uma das coisas mais malucas que já me passaram pela cabeça.
Em inglês temos duas palavras para Orgulho, Pride e Haughtiness. A segunda quase não é usada por ter tanto caído em desuso quando pelo significado meio brutal dela.
O Orgulho ‘Pride’ é aquilo que você faz e gosta de fazer, pois foi bem feito. Ou quando um amigo consegue um feito que almejava. Esse é o Orgulho bacana, bonito que é pregado em qualquer livro de auto-estima.
O Orgulho ‘Haughtiness’ é o orgulho arrogante. Aquele que ‘Eu faço isso e sou bom por isso’. O que te torna inflexível, grosseiro, presunçoso. O que bate o pé no chão. Que menospreza os outros.
Mas o tópico principal: orgulho. Quando eu sei que algo funciona daquele jeito, quero que seja sempre feito daquele jeito. Quando eu sei que estou certo, não quero ser contrariado sem motivo. Não gosto de dar o braço a torcer quando meus princípios estão sendo colocados em jogo. E às vezes eu me detesto por isso. Eu não tenho o menor problema em admitir quando estou errado, mas sempre espero que as pessoas também o façam. E é um pouco presunçoso da minha parte achar isso.
O tanto que tenho falta de Orgulho (Pride) é o que tenho em sobra de Orgulho (Haughtiness). Eu odeio isso, pois não sou arrogante ou prepotente. Só entendo que, aquilo que eu digo que é, eu não digo sem qualquer base. E eu não me considero melhor que ninguém também. Pelo contrário, meu complexo de inferioridade é maluco, que até quando faço algo bem feito, quero me jogar de um precipício.
Hoje, assistindo ‘Love, Simon’ (Filme de 2017), em uma cena em especial eu percebi isso. Na verdade, eu já percebi tem eras, mas só me senti extravasar nesse momento. Quando o Pai de Simon conta a ele o orgulho que sente do filho, eu percebi que falta isso em mim. Falta orgulho do que eu me tornei, talvez de alguém que me ajude a ter esse orgulho. Porra, estamos em 2018, já passei por tantas coisas ruins que nem sei mais contar e por tanta coisa boa também que moldaram meu caráter hoje. Eu não me sinto qualquer um, mas não me sinto como algo digno na verdade.
Me sobra Orgulho, mas me falta Orgulho. E isso é uma das coisas mais malucas que já me passaram pela cabeça.
Sobre o Ciclo Natural
Estava saindo com alguém 'recentemente'. 'Recentemente'
porque já faz três meses, mas não posso dizer que sei muito mais que uma
vírgula sobre ela. Foi uma experiência boa, pois minha autoestima estava
praticamente chegando ao Tártaro e isso ajudou na minha recuperação
(provavelmente vou falar só que me recuperei em algum outro momento. Não
agora).
É apenas um caso do ciclo natural das coisas. Começam, se
desenvolvem, viram lembrança e acabam.
Este sempre prega que tem baixa autoestima também. Mas a
verdade é que tudo isso não passa de um disfarce para receber confetes e
biscoitos. Nomeio as pessoas que querem chamar a atenção de Biscoiteiras,
principalmente porque elas se assemelham muito a aqueles cães que ficam fazendo
truques para chamar atenção do dono e ganhar biscoitos.
Uma vez, no meio da confusão mental que esse alguém me
deixou, eu fui obrigado a perguntar se eu conseguia algum manual para me ajudar
a entender o que se passa, quando recebi a resposta 'ninguém se preocupou em
terminar um'. Eu estava ali, em pé, do lado tanto física quanto emocionalmente.
Se eu não estou ali porque me preocupo, receber uma pontada dessas é quase um
soco na boca do estomago. Minha diplomacia me impediu de reagir, a não ser com
um sorriso amarelo, que é bem minha especialidade, e uma frase sarcástica
qualquer para fugir do assunto.
E então começa a acontecer o ciclo natural das coisas.
Sinto a pessoa escapar pelos meus dedos, não porque eu fiz
algo, não por falta de tentativa minha de segurar. As pessoas só... somem. Mas
quando não se há qualquer reciprocidade, mesmo o soldado mais leal não
guerrearia por um rei. Quanto mais embarcar em algo com alguém que,
definitivamente, não está interessada. Resolvi dar um metro de distância e ver
se a pessoa buscava o caminho de volta. Ai tive a comprovação de que, não, não
voltaria.
Ciclo natural das coisas.
Mas o frustrante nisso tudo não é isso. Este continua se
promovendo como alguém solitário, de baixa autoestima e que ninguém 'se preocupa
em terminar'. Mesmo enquanto eu estava lá. Agora que não estou mais, o discurso
é o mesmo. Algumas das respostas para minhas propostas era sempre 'você é
legal'. E parávamos por aí. Então, encontro a imagem abaixo no perfil da
pessoa, publicada depois de uma das minhas várias mensagens enviadas e não
respondidas.
De https://www.facebook.com/poetasdesofa/
Ninguém é obrigado a gostar de alguém. Mas usar essa desculpa chega a ser nauseante, como o quadro acima. Mas vem o Biscoiteiro, e aquilo serve só pra situação que ela passa, e não para que ela fez os outros passarem.
Não sei. Tudo me soa meio cretino. Criticar aquilo que ela
é, sem o uso da autocritica. Ou tudo é meio cretino mesmo ou estou sendo
absurdamente crítico. Cretinisse tem limite.
Só sei que, desse ciclo, acabo de colocar um fim.
Sobre uso lírico da Tecnologia na narrativa
Não vou tentar escrever sem usar os recursos tecnológicos como esses escritores piegas costumam fazer. Nos livros atuais, a maioria evita em falar sobre Celulares, Redes Sociais, Streaming ou qualquer outra coisa que hoje consideramos normal, mas não nos anos 90. E quando usa, ou é romantizando, os usando a própria tecnologia como o foco da coisa [Olá 'Black Mirror', 'Nerve' e 'Mensagem para Você'/'You've Got E-mail']. Me soa hipócrita na verdade. Essa onda de saudosismo na verdade me deixa bem cético sobre tudo. Mas o ponto é, isso é algo comum e não vou me abster de usar esse tipo de discursos nas minhas narrativas.
Digo isso dessa forma por causa do que vem nos próximos textos.
Digo isso dessa forma por causa do que vem nos próximos textos.
Sobre aqui
São 01:40 do domingo de carnaval. Simplesmente não consigo dormir e tem uma porção de pensamentos que não consigo guardar para mim e não tenho ao certo com quem compartilhar. Soam meio idiotas quando verbalizados, mas são importantes para mim e preciso que sejam verbalizados. Então criei esse espaço para isso.
Não pretendo colocar nada que faça muito sentido, como o meu blog sobre assuntos de trabalho que pretendo manter como um caderno, ou como meu blog de crônicas, que não é atualizado a séculos, mesmo que eu ainda tenho inspiração para escrever milhões de coisas, tenha diversos rascunhos e tudo o mais. É simplesmente um espaço aberto para eu escrever toda e qualquer baboseira que preciso verbalizar.
Se alguém achar isso, deve ter procurado fundo. Não está vinculado ao meu e-mail principal, não pretendo comunicar a ninguém sobre isso ou sequer mencionar que isso existe.
Então, se você quiser seguir, siga em frente. Mas não espere muito. Nem eu espero.
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